2026-10-25 11:39 UTC
Ligar a televisão nos canais noticiosos, nestes dias, é uma lição particularmente acutilante de ataque aos pilares fundamentais dos direitos humanos elementares. Estão pejadas de comentadores bem apessoados, que do alto das suas cátedras se esforçam por nos convencer que quem se manifesta está errado, que estar pacifico numa praça é grave desobediência, que se deve ser moderado, no acatar é que está o ganho, a fazer pender o debate em inúmeros tecnicismos legalistas.
Em fundo, imagens que demonstram o rigoroso oposto do que apregoam - uma ação desproporcional sem suporte legal concertada (Lisboa e Porto em simultâneo) para mostrar força, perante pessoas que não resistem enquanto são arrastadas, espancadas e posteriormente perseguidas pela rua fora.
Mas, é o que se espera da nossa classe de comentadores. Eles não estão lá por serem especialistas ou conhecedores das áreas em que opinam. São pagos para desinformar, lançar confusão, e ir contra os óbvios sinais de que não podemos compactuar com injustiças políticas, sociais e económicas.
Não consigo deixar de registar que se o que se passou ontem tivesse decorrido noutras latitudes, os comentadores estariam agora a vociferar sobre a injustiça e os excessos totalitaristas da violência policial. O critério da opinião depende da vontade de quem passa o cheque.
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