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@flip@bolha.one

Post #2366868

2026-05-10 18:05 UTC

Sobre a gênese do sentido de "exatidão" para se referir às ciências exatas: "A especificidade de algumas ciências 'exatas' era ressaltada vagamente no século 18, mas não como oposta a outras ciências, que seriam 'não exatas ' ou 'humanas'. Ao longo dos 17 volumes da Enciclopédia de Diderot e D'Alembert, que tratam das diferentes formas de fazer ciência, não há nenhuma menção à divisão entre exatas e humanas. D'Alembert chegou a mencionar as 'ciências exatas' em um ensaio, destinado a refletir sobre algumas características de 'pessoas letradas'. Aqueles que escreviam romances e poemas necessitavam, às vezes demasiadamente, do reconhecimento dos outros, criticava D'Alembert. É para os outros que os homens se dedicam às letras: 'Um poeta não seria vaidoso em uma ilha deserta, ao passo que um geometria poderia sê-lo '. [...]. Ao longo do século 18, a noção de exatidão foi bastante usada para designar um saber que pode ser descrito e provado em linguagem matemática. Em particular, por meio de álgebra. O termo 'exato' é associado à obra de René Descartes, um dos primeiros a propor a algebrização da geometria (aquilo que hoje nomeamos 'geometria analítica'). Desde Descartes, eram exatos procedimentos que permitiam construir curvas por meio de equações algébricas. Em vez de construir um círculo geometricamente, usando o compasso, tornou-se possível construir essa figura por meio da equação x² + y² = r². [...]. A linguagem algébrica, ingrediente do método analítico, permitia estender as práticas exatas que, anteriormente, eram exclusividade da geometria de tipo euclidiano." (Roque, 2021, p. 60-61) ROQUE, Tatiana. O dia em que voltamos de Marte: uma história da ciência e do poder com pistas para um novo presente. São Paulo: Editora Planeta, 2021.

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